Quem sou eu

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Não ofereço tanto perigo, pelo menos não à primeira vista... Sou complicada, mas também sou bem simples! Depende do ângulo de quem observa, depende do referencial... Sou, mesmo, a personificação da constante contradição! Sempre sincera, sei bem que a verdade é meu defeito e minha virtude! Sinto, falo e depois penso, necessariamente nessa ordem! Gosto de gente, do meu trabalho, de desafios, de rodas de violão, de baladas intermináveis, de teatro, do sossego da minha casa, de cinema, de estudar, de passar as noites em claro, de dormir de dia, de música boa, de comida boa, de bebida boa, gosto de viver a vida! Tudo o que eu faço é com paixão, por isso tem que ser prazeroso! Se você me conhece sabe do que estou falando... mas se ainda não me conhece, aproxime-se, puxe uma cadeira e vamos dar umas risadas, mas se prepare: de perto ninguém é normal...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

O Salto

Sentava-se como num ritual de obrigação, a mesa mal posta pro café da manhã apressado, olhava pro pão "dormido" e nem tinha muito apetite. Na verdade não tinha nem tempo de lembrar como foi bom estar ali, um dia... não era aquela mesa, nem aquele café solúvel, nem a margarina de semanas.Quase nem se lembrava mais do sabor da manteiga no pão quente.

Tomava o primeiro ar do dia já na rua, na correria nunca podia abrir a janela do apartamento minúsculo, escuro, sem nada de pessoal. O ônibus lotado, o balcão da loja, gente que veio "só dar uma olhadinha", a comissão pequena, a louça pra lavar e mais um final de semana já estava chegando. Era sexta-feira, novamente.

Se perdeu no horário enquanto pensava na rotina, saiu correndo e se pendurou no cano da condução, abriu a porta pesada, abriu o caixa, cupriu seu ritual. Cumpriu o horário. O corpo cansado de um dia daqueles, de uma semana inteira, de uma eternidade!
Uma cervejinha? Hum, quem sabe? Já estava lá: o bar...
As pernas frágeis da mesa de ferro sem equilíbrio nas pedras da calçada, as colegas de trabalho que não eram amigas, o pandeiro que batia uma música que ela detestava, a paquera com o cara que não era aquele... o toque que não deu arepio, o abraço que não deu amor, os beijos que não têm carinho, a noite que não descançou, a manhã que não tinha ninguém.

Sentada à mesa mal posta pro café sem pressa, não tinha nem o pão "dormido" (e nem tinha apetite nenhum). Na verdade, não tinha nem nada pra querer lembrar, nem pra querer viver, nem pra querer querer.
A janela! Foi até ela e resolveu espiar o mundo... a janela aberta, depois de tanto tempo... asas pra voar.

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