Quem sou eu

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Não ofereço tanto perigo, pelo menos não à primeira vista... Sou complicada, mas também sou bem simples! Depende do ângulo de quem observa, depende do referencial... Sou, mesmo, a personificação da constante contradição! Sempre sincera, sei bem que a verdade é meu defeito e minha virtude! Sinto, falo e depois penso, necessariamente nessa ordem! Gosto de gente, do meu trabalho, de desafios, de rodas de violão, de baladas intermináveis, de teatro, do sossego da minha casa, de cinema, de estudar, de passar as noites em claro, de dormir de dia, de música boa, de comida boa, de bebida boa, gosto de viver a vida! Tudo o que eu faço é com paixão, por isso tem que ser prazeroso! Se você me conhece sabe do que estou falando... mas se ainda não me conhece, aproxime-se, puxe uma cadeira e vamos dar umas risadas, mas se prepare: de perto ninguém é normal...

sábado, 5 de março de 2011

Origem é onde a alma mora.

Saudade é o que aflige o ser, enche de vazio (as ruas, a cozinha, a sala, o bar).

Raízes são responsáveis por te fincar num chão, para que se possa ir alto e sempre... e mais.

E eu? Eu que nunca os tive de verdade, sinto uma falta imensa do meu vaso de barro!

quarta-feira, 2 de março de 2011

Comunicáveis

Ele sentou, ligou a luz da escrivaninha e se encheu de coragem. A melhor caneta, a caligrafia mais caprichada, no melhor papel.

Escreveu uma carta para ela.

Uma carta cheia de ternura, que traduzia em palavras tudo aquilo de mais belo que há no sentir.

Nunca a enviou...

Na calada da noite ela se levantou, tomou um papel e rascunhou. Escreveu tomada de uma ispiração ímpar!

Foi assim que ele pôde ver, no mural da escola, aquele que era seu texto: vencedor do concurso de redação, primeiro lugar!



*inspirado na insana coincidência com o Micha!

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Que Altura?

Parou na janela e ascendeu um cigarro.

O som dos carros pareciam lhe arrombar a mente, estourar os tímpanos.

Qual a altura do seu apartamento?

Olhou pra baixo e viu o chão, de longe... pessoas pequenininhas andando na calçada.

Mais uma tragada.

Soltou a fumaça como se quisesse expulsar o que há de ruim dentro de si.

O que construira de bom até hoje?

Nada de palpável...

Nada no lugar certo... nessa atura da vida?

Olhou para o chão, outra vez.

Vontade de se largar no vazio.

Ficou com seus pensamentos.

A fumaça sumia no vento.

Deixou de sandices e foi dormir.

Esse não era o final à sua altura.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Próxima Parada

Ele a viu entrar no ônibus e rezou para que se sentasse ao seu lado.

Ela o fez...

"Será que chove?"

Ela sorriu.

Não, não chove: nem hoje, nem nunca mais!

O sol entrou pelo seu coração e o fez segurar sua mão.

Pouco tempo depois, passeavam pela praça.

Conheciam as famílias, marcavam a data.

Como ela estava linda em seu vestido de noiva!

E os filhos? Três... um menino e duas meninas... família feliz.

As crianças cresceram, belas formaturas, orgulhos do pai!

Como ela chorava ao ver cada um se casar, como ele a amava com a carinha inchada.

Compraram a sonhada casa de praia, se mudaram para lá depois da aposentadoria.

Sentados na varanda, tomando uma brisa agradável com cheiro de maresia.

Ele pegou sua mão e lembrou de tudo o que passaram juntos.

Viajou pelo tempo de maneira tão real que nem percebeu que ela descera naquele ponto.

Ela abriu sua sombrinha vermelha e sumiu na multidão.

De uma hora pra outra... Como chovia!


*bem que pode ser baseado em uma memória remota da poesia do Michael (que a gente acha que ele nunca me mostrou!) Hahaha

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Amor, amado...

Bonito de uma beleza que não se explica pelas imagens, palavras, pelo palpável...
Aquela coisa que não pode ser descrita... nem pelo nariz mais apurado, ou pela mais perspicaz das vistas.

Não tem língua que sinta o seu gosto e possa dizer dele, sem errar nadica! Mas eu reconheço seu cheiro e tudo mais que há de bom, sigo seu rastro.

Meu amor tem mais que a aparência: é a essência da boniteza da proeza da poesia da canção, que é de um ou dois simples acordes: só faz tum-tum...

É um de palavrório todo que faz perder o fôlego de tentar explicar, de acabar o papel e a tinta...

Bonito por dentro e por fora e, a despeito do dizer de qualquer frese feita, mora aqui no coração! Sim, o texto é meu... quem mais se conhece que de tão apaixonado pode ficar tão tonto-enebriado e dizer dessas sandices?

Sem explicação, sem data comemorativa, sem nexo, sem obrigação: amo você!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Veredas

Simplesmente foi, sem saber direito pra onde, pra longe. Lugares desconhecidos, rostos inéditos, novas paisagens...

Caminhou por horas, por dias, longos dias. A jornada parecia nunca ter fim, nem sucesso. Chorou a cada incerteza, a cada insucesso, a cada tentativa frustrada.

Buscava um lugar pra ficar, aninhada, acolhida, pra estar com quem ama e se sentir em casa.

A mente ía ainda mais longe, chegava ao futuro, voltava pra casa... saudades de tudo o que foi e do que há por vir.

Andou até os pés não aguentarem mais, até se embriagar de sol e de mar. Já não tinha condições de continuar, já não podía falar por si. Voando de volta encontrou alguém que fazia quase o mesmo e se confortou por não estar só no turbilhão.

Voltou emfrangalhos, sem saber se fazia o certo, sem querer deixar tudo pra trás: o novo e o eterno. A enfermaria cheirava a éter e nada aliviava as dores, elas prosseguiram por dias. Nos pés, na alma...

Na volta descobriu que não há mais lar onde havia deixado tudo, vive ansiosa por voltar a caminhar.

De manhã

Teve um sonho estranho, como não tinha há anos...

Acordou assustado, o frio da madrugada entrava pela janela esquecida aberta entre um gole, outro e o tombo.

Que horas? Quantos dias havia dormido? Que nada... só vinte minutos!

Outra noite em claro esperando um milagre acontecer.

Outra noite sem saber nem o que espera direito...

O que queria dizer aquele sonho? Os corpos suados numa mistura de amor e ódio não saem da mente, nem por um segundo. Por que logo com ele, a razão de tanta tristeza.

Nada poderia explicar o motivo de sonhar aquilo... a não ser a vontade de fazer parte de tudo o que ela viveu e vive sem ele. Mas se pelo menos fosse com ela...

As saudades são tantas. Agora o desejo e a repulsa se misturam em sua mente, cada vez mais confusa.

Sente os lábios ardidos como depois de um beijo bom e demorado... deve ter mordido enquanto sonhava e só.

Quem sabe mais um trago... mente pra si mesmo. De manhã, tão só..

quarta-feira, 25 de março de 2009

Nada demais.

Naquele dia não tinha acontecido nada demais. Ele tinha levantado às sete, como sempre. Às oito, estava no trabalho. Saiu pra almoçar a mesma comida de todo dia, no restaurante da esquina, ao meio dia. deixou o trabalho às 17 horas, mas antes humilhou o porteiro do escritório pra não perder o costume.

O trânsito o deixou louco, como sempre acontecia. Chegou cansado em casa, como era de costume.

Os filhos implorando pela atenção que ele só iria dar no final de semana, o cachorro que nunca viu um só sorriso do dono insistindo pra brincar, a esposa perguntando "como foi seu dia?" e ouvindo como resposta um"bem" tão vago quanto o que teria dito a um completo desconhecido que ousasse se intrometer em coisas tão importantes de sua vida.

Foi dormir às 11 horas, como sempre fazia, sem saber do que poderia estar lhe esperando.

Em sua vida vazia, ouviu o despertador na manhã seguinte, mas não compreendeu o real motivo de acordar sozinho na cama, nem de não ter os filhos à mesa do café, nem de não ver o pobre cão mendigando carinho enquanto mastigava as duas torradas costumeiras de sempre.

Continuou a rotina sem nem se perguntar onde estavam todos. Não se questionava nem se eles existiram de fato algum dia, ou se havia sido um sonho estranho.

Passou a costurar as próprias cuecas, e a comprar camisas decentes, sempre que era preciso. Ele dava as ordens à diarista que nunca teve coragem pra tocar no assunto da família.

Levantava, dia após dia... deitava dia após dia, por anos a fio... até o dia do enfarto. Morreu sem deixar lágrimas... não foi nada demais.

Interessante

Interessante é aquilo que nos chama a atenção... e Navidalha já tinha se esquecido disso.

Ela estava há dez anos casada com ele, Rolímpio: o marido exemplar (que tinha uma amante a cada verão, mas nunca deixava de cuidar das coisas). A história entre eles começou numa noite diferente, em que ela era o centro das atenções, justamente por que era diferente de tudo, era diferente do mundo...

O tempo passou e tudo ficou tão igual a tudo, as rugas, a força da gravidade, a intenção da vida já era tão outra que nem se encontrava mais no infinito de "prioridades" onde (agora) a pobre Navidalha tinha se metido.

Seu mundo girava em torno dele e dos filhos (quatro lindas crianças, três meninos e uma menina, que lhe tomavam todo o tempo com estrepolias) do almoço de hoje, da janta de mais tarde, da casa organizada, de tudo menos dela. Por isso nada que podia oferecer, nem a roupa lavada, nem a comida caprichada na mesa, nem o carinho antes do sono, nem o beijo de "bom dia" era interessante de fato...

Ela nunca se dera conta disso. Não era mais interessante...

Engraçado foi que no mesmo dia teve dois encontros com si mesma. O primeiro foi com uma amiga que lhe fizera lembrar de como era, de como tratava as coisas e pessoas, de como encarava o mundo... foi pra casa pensando em como havia mudado, mas fez questão de esquecer rápido. A experiência do dia lhe soou mais como um desabafo frustrado de uma encalhada que tentava jogar areia na sua vida perfeita do que uma verdade dura e crua.
Depois, quando já havia feito as crianças dormirem e de tudo pra apagar o que lhe haviam jogado na cara (tentando "fazer de conta" que nada acontecera e que sua rotina estava "nos eixos") ele lhe deu a bofetada fatal: ela se aproximou e deu um pitaco imbecil nas suas anotações do escritório... ele lhe perguntou, num tom um tanto áspero, se não havia nada de mais interessante a se fazer do que se meter nos assuntos de homem. Nada de mais a fezer... ela percebeu que não tinha mais vida própria, nem vontade própria, nem nada de próprio!!!

Pareceu uma grosseria, num primeiro momento... coitada, de tanto viver a vida alheia, ainda se ofendia quando lhe indagavam a respeito de sua própria existência. depois veio o tom de libetação: a partir daquele dia, ela voltaria a ser ela mesma, soberana e independente... i-n-t-e-r-e-s-s-a-n-t-e.

Não se sabe ao certo se ela conseguiu viver o seu casamento até o fim dos dias... mas que importa? O seu encontro consigo mesma fez dela uma mulher que ainda era fantástica, que ainda sabia ser, que não aceitava nada que a fizesse incomodada... Nossa... há quanto tempo já não se via no espelho frente a frente?

Encontros com os outros, ao acaso, são "lugar comum"... quando nos vemos a nós mesmos, verdadeiramente, é que vale a pena... isso sim dá história!

Navegando

Ficava ali sentada até dez horas por dia. Sua atividade favorita era conversar em chats, buscava ampliar seus horizontes, conhecer gente nova e (quem sabe?) até se apaixonar... Mal arrumava a casa, comia muito pouco, não dormia quase nada... era só ali, em frente ao computador.

Sua vida andava um tanto parada desde que se formou na faculdade de Geografia, há cinco anos. Era professora de manhã, à tarde e três noites. Tímida e solitária, não saía aos fins de semana, não encontrava com amigos e nem fazia amizades na sala dos professores. Achava melhor manter certa distância, até pra não se envolver em fofocas de corredor... colégio é fogo!

Um dia entrou em uma "sala de bate papo" qualquer, com o nome de sua cidade. Logo puxaram assunto com ela, mulheres são disputadas a tapa e ela se divertia muito com isso.
Fantasma: Tc d onde?
Atena: Ponta Grossa, ? rsrsrs
Fantasma: Podia ser de qualquer lugar :(
Atena: Brincadeira, bobo! E vc? Tc d onde?
Fantasma: PG, tmbm.

O papo ficou divertido, trocaram msn e passaram a se falar todos os dias. Como poderia haver alguém na cidade com tantas coisas em comum? Era a sua alma gêmea!!!

Marcaram um encontro um mês depois, ai que medo! Tantas histórias sobre raptos, violências, até roubo de órgãos!!!

Mas ela foi, se ajeitou com a melhor roupa e toda sua coragem e foi! O lugar escolhido era o bar mais badalado da cidade, pra ter mais movimento e diminuir os riscos.

Ela quase deu meia volta quando se deu conta de que todos os seus alunos do ensino médio também estariam lá, mas a curiosidade de conhecer o tal Fantasma acabou maior que qualquer outra coisa que pudesse sentir.

Chegou um pouco antes do combinado, estava ansiosa, pediu um Martini. Ele disse que traria uma rosa vermelha pra que ela pudesse reconhecer quem era. Não parava de olhar pra porta do bar.

No horário combinado ele entrou, com a rosa na mão e um sorriso no rosto. Ela se refez do susto, quase sem coragem, acenou. Ele disfarçou a surpresa e se aproximou. O assunto do colégio é o novo namoro da professora de Geografia com o professor de Matemática.